quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Reacostumando ao ócio


Estar de férias é um desejo que abrange 10 entre 10 pessoas. E Janeiro é o mês em que terei a difícil tarefa de não ter tarefas, ao menos não obrigatórias. Não, caro leitor, não estou sendo irônico e muito menos estou tentando pôr-lhe inveja, é que passei tanto tempo do ano na correria cotidiana cheia de horários, prazos e metas a cumprir que, ao me deparar com a ausência de tudo isso surge uma (e me perdoem por amar paradoxos) "agonia satisfatória".

A reclamação do cotidiano faz parte de um processo de adaptação a ele, uma vez que a minha rotina (trabalhar + estudar),é, inclusive, a mesma de muitas pessoas que eu conheço, e por mais cansativa que seja é extremamente agradável.

Se eu for analisar estes dois principais âmbitos não há muitas reclamações a se fazer. No trabalho, por exemplo, 2010 foi um ano de grande crescimento. Na primeira metade do ano eu atuava como operador de atendimento, função extremamente digna, mas que eu já executava há bastante tempo e achava que havia chegado o momento de ir além. Após um criterioso processo seletivo hoje sou instrutor de treinamento e consigo aplicar grande parte dos meus conhecimentos enquanto trabalho, já que me minha função é bem próxima a de um professor. Para mim esse foi um acontecimento realmente significativo, uma vez que, além de mudar de função, conheci outras pessoas que vêm agregando muito na minha vida profissional e pessoal,não esquecendo,claro, os que estiveram presentes anteriormente.

Já no que diz respeito à minha vida acadêmica as alegrias são ainda maiores. A cada dia mais apaixonado pelo meu curso e achando que cada vez soa mais agradável o título de “professor de literatura” 2010 foi um ano de muita leitura e que obtive o maior reconhecimento como futuro profissional do mundo das Letras. Fui convidado para dar uma palestra na faculdade. Se a principio o convite me deixou preocupado, por medo de não conseguir alcançar um resultado satisfatório, me esforcei em dobro para realizar um bom trabalho e foi imensuravelmente gratificante ver um auditório cheio de familiares, amigos e professores elogiando a minha dissertação sobre a “construção da identidade feminina através da literatura”.

É, ao pensar meu ano de 2010 percebo o quanto necessito destes 30 dias de descanso.De fato este é um período em que muitas são as possibilidades de entretenimento e já me prometi a frequência em cinemas e teatros, mais nights com os amigos, escrever mais aqui no blog e tudo que o tempo consumido pela rotina não me permite fazer constantemente, logo, percebemos que não é tão difícil quanto eu imaginava readquirir o hábito de não ter compromissos formais. Sendo assim, paro por aqui e vou me dedicar à minha mais nova obrigação: o tão delicioso ócio.

Leandro Sá, 22 anos,aproveitando meu tempo de calmaria.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Somos todos iguais?


Uma das características mais encantadoras do curso universitário que eu faço (assim como as demais áreas humanas) é o fato de ele proporcionar debates sobre assuntos cotidianos e relacioná-los ao nosso objeto de estudo- as obras literárias.

Durante as aulas da disciplina que mais gostei no período recém-terminado estudamos a literatura contemporânea. Como é impossível falar de literatura de uma maneira eficaz sem contextualizá-la com as peculiaridades da sociedade presente nela, esta foi uma das bases de nossas discussões.

Quando se pensa, academicamente, a contemporaneidade é impossível ignorar que uma de suas maiores mazelas é a massificação do pensamento popular. De fato vivemos numa sociedade em que a alienação é mantida através da mídia e também do desprezo por parte dos governantes com a formação de uma consciência crítica. Aqui apresentarei alguns pontos que destacam na massificação.

Sei que escrevi sobre política há alguns meses, mas existem alguns pontos preciso abordar por outra perspectiva. Após a última eleição constatei que muitos dos meus amigos votaram simplesmente por ser algo obrigatório e que seguindo uma linha de raciocínio de isenção de responsabilidade anularam seus votos, algo que, confesso, me deixou um tanto decepcionado. Não que eu considere imprescindível uma filiação partidária, entretanto acredito ser uma obrigação do eleitor, ainda mais alguém que cursa o nível superior, buscar informações sobre quem vai representá-los politicamente. Isso se chama consciência cidadã.

Ainda no que diz respeito a política, algo típico da alienação discutida foi a polêmica eleição de Tiririca em São Paulo. O ato, que foi considerado por muitos como um protesto, para mim nada mais foi do que o triste reflexo de que para a maior parte das pessoas é muito mais cômodo justificar sua preguiça em pesquisar um bom candidato como uma manifestação contra o “sistema”. Eu, por exemplo, votei no candidato Plínio de Arruda Sampaio, ainda que eu tivesse certeza da sua não eleição o que realmente valeu foi a consciência tranqüila quanto a minha atitude nas urnas.

A violenta padronização corporal também é um dos males afetam a população do século XXI. Devido a uma ideologia clichê em que todos devem chegar ao padrão pasteurizado de beleza imposto pelas novelas, revistas e outros veículos de mídia, palavras como “Stroll” (remédio para emagrecer repleto de efeitos colaterais) e “anabolizantes” são freqüentes no vocabulário de muitos dos meus amigos. Por um lado fico triste em vê-los cedendo a um pensamento coletivo tão superficial, por outro fico feliz por perceber que não sou atingido por tal massificação.

Sempre que escrevo tenho uma preocupação grande em não parecer que estou falando de um pedestal e que sou isento aos pontos que tanto critico. Na verdade como um ser - humano sou passível a erros, entre eles a padronização/massificação tão atacada aqui. De fato, mais importante do que ser consciente é querer ser consciente, portanto, por mais difícil que possa parecer, deixemos de ser gente-massa para nos transformarmos em seres pensantes. Vale à pena!

Leandro Sá, 22 anos, questionando: Precisamos ser todos iguais?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Covardia Textual


Que me perdoe o leitor pela metalinguagem, mas ao escrever o texto que estaria aqui no blog no lugar deste tive uma série de reflexões que se tornaram maiores que o próprio post em questão e que, por isso achei relevante postá-las.

O texto ao qual me refiro, já estava na minha mente desde antes da existência do “Miscelânea” e fala sobre a superficialidade da sociedade de massa contemporânea. Eu abordaria questões como o valor excessivo da aparência, a falta da construção de pensamento crítico além de outros fatores que, a meu ver, são prejudiciais às relações humanas. Contudo, durante a formulação do texto algo me impediu de continuar a sua criação, e é aí que entram as reflexões acima citadas. Surgiu em mim um medo muito grande de atingir negativamente algum dos leitores do blog, isto porque meus leitores são, consequentemente, os meus amigos. Daí parte o conflito que estou aqui confessando, sou textualmente covarde.

Li há uma semana no blog de um amigo do trabalho um post discutindo, com muita propriedade por sinal, a legalização da maconha. Na hora em que li o tema abordado confesso que não tive outro pensamento senão:“Que coragem em abordar um assunto tão polêmico!” e pensando cheguei a conclusão de que em vários momentos deixei de abordar temas presentes na minha percepção de mundo pela repercussão polêmica que eles poderiam causar e por isso me questiono de onde vem esse medo de fermentar a discórdia.

Não é necessário pensar muito para entender a minha dificuldade em falar sobre assuntos que possam agredir as pessoas de alguma maneira. O tal medo de desagradar os outros vem claramente da minha necessidade de tentar agradar a todos, o que gera uma cobrança. Eu particularmente não acho essa uma das minhas características mais positivas e desejo um dia ter atitude suficiente para desprezar o pensamento alheio em relação a mim, mas é algo que ainda preciso desenvolver.

Um acontecimento recente prova esse meu defeito. Neste término de período na faculdade os alunos que alcançam 15 pontos em duas provas são liberados da obrigatoriedade de fazer uma terceira. Nos meus 3 períodos anteriores sempre fui beneficiado por esse sistema e assim nunca havia ido para a temida prova final, até que neste com a pendência de 0,5 pontos (somei 14,5 nas duas primeiras provas) terei que fazer a tal prova. Tão ruim quanto à situação de ter que ir a faculdade por mais algumas Terças-Feiras existe a frustração de ver a face espantada das pessoas junto a expressão “Não acredito que você está na prova final!” , as pessoas não imaginam o quanto essa cobrança é complicada para mim, mas de fato minha síndrome em agradar é culpada por estes comentários.

Talvez eu publique por aqui um dia o texto que eu escrevia enquanto pensava tudo isso que está exposto agora, mas neste momento percebam o que estão lendo como uma confissão que não visa elogios. Confissão de um pudor que, de acordo com a minha já conhecida opinião paradoxal, é pejorativamente necessário. Isto porque ao mesmo tempo em que eu penso ficar limitado pela minha covardia textual, ela me deixa aliviado de não criar inimizades através do que escrevo.

Leandro Sá, 22 anos, confessando aqui minha admiração aos corajosos textuais.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A "vida real" invade tela.


Nos últimos dez anos assistimos a televisão brasileira ser dominada por reality shows. Neste período acompanhamos o surgimento das mais diversas modalidades desse tipo de atração televisiva, desde vertentes rurais até empresariais. Contudo, apesar da ampla quantidade de programas neste estilo, eles não são uma unanimidade, sendo também criticados pela parcela, que se julga, mais culta da sociedade.
As pessoas que atacam os realitys apontam como seus principais defeitos, a superficialidade e consequentemente a alienação causada por eles. Para os mais questionadores, este estilo de programa não gera pensamento crítico em seus telespectadores. Por outro lado os defensores dizem que é possível entender melhor o comportamento humano através dos realitys e que os programas têm até mesmo um fundo antropológico, uma vez que expõem diversas culturas.
Já demonstrei várias vezes que sou uma pessoa avessa a extremismos. Consigo visualizar pontos aprováveis e discordáveis nas duas linhas de raciocínio. Realmente a televisão hoje sofre um colapso destes programas, convivemos com um número exagerado deles. O lamentável é a falta de comprometimento dos produtores que, na maioria absoluta das vezes, não estão preoucupados com a qualidade dando foco exclusivamente aos números de faturamento gerados pela audiência que pode conseguir aquela atração. Confesso ter acompanhado algumas edições do "Big Brother Brasil" (inclusive a última) e que, vejo, aleatoriamente, trechos de "A Fazenda" e não tenho vergonha alguma de admitir isso, porque a alienação não está no que você assiste, uma novela, um ídolo,ou a falta de boas leituras, por exemplo, podem te levar a ela se você se permitir. A questão é que a maior parte destes programas visam o entretenimento e somente assim devem ser encarados. Buscar crescimento intelectual em "No limite" é uma total falta de discernimento.
Não podemos delimitar reality shows apenas a programas que prendem pessoas numa casa com o único objetivo de acumuular dinheiro. Também temos programas como "O Aprendiz", que considero ao mesmo tempo agradável e construtivo, o melhor reality show da televisão brasileira atualmente e o pedagógico "Super Nanny" que, mesmo com algumas inconsistências, eu ainda considero proveitoso em alguns pontos.
Enfim, espero que tenha ficado claro que não sou nenhum defensor ferrenho dos realitys, mas também não faço o estilo pseudo-intectual-que-nega-tudo-que-pertence-a-cultura-de-massa. O ser-humano é naturalmente curioso e estes programas vêm suprir a necessidade de algo "real" (ainda que seja uma realidade manipulada) que as pessoas venham a sentir falta na televisão. Concordo que, dependendo da intensidade com que é assistido e a importância que lhes é dada os programas são prejudiciais sim, todavia esta não é uma característica exclusiva de reality shows, sendo a alienção causada não necessariamente pelos programas mas pela forma como ele é encarado pelas pessoas.
Leandro Sá, 22 anos.Feliz por, mesmo com todos os impecílios, completar 1 ano de blog.

sábado, 18 de setembro de 2010

Alguém tem que falar!


"Não espere, levante
Sempre vale a pena bradar
É hora
Alguém tem que falar"

Pitty


Estamos próximos de mais uma eleição e, ao que parece, as pessoas estão pouco preocupadas, com quem vai representá-las politicamente. Sei que nesse momento mais da metade dos leitores já desistiu deste texto devido ao tema que é repelido por grande parte dos brasileiros. Falar sobre política requer certo cuidado, já que não pretendo que o post soe como uma lição de moral, e sim um reflexão, nem como uma defesa das minhas convicções partidárias, mas como já assumi o risco vamos ao que realmente interessa.

O grande problema que eu percebo em relação ao posicionamento político da população brasileira é que a sua maioria prefere manter um pensamento a margem dos acontecimentos que envolvem nossos governantes (e consequentemente a nós mesmos). Escândalos que causam extremo impacto sobre a vida de todos, são incompreendidos e até, muitas vezes, ignorados pela maioria absoluta das pessoas, que prefere viver na ignorância a tomar conhecimento dos fatos importantes que permeiam o país. A esse mal chamado alienação há quem culpe a imprensa, há também quem culpe os próprios políticos, eu culpo a falta de interesse por parte das pessoas na defesa de seus direitos. Não podemos esquecer o quão confortável é a alienação, já que como reforça o escritor inglês Thomas Grace: “Onde a ignorância é felicidade, é loucura ser sábio.”, ou seja, enquanto o cidadão vive coberto pelo manto do “não saber” sua felicidade estará protegida.

Fico então a imaginar a época em que a ditadura era a grande mandante do nosso país. A juventude que viveu este período demonstrava anseios de liberdade e, sofreu, incomparavelmente, mais represálias que a contemporânea, a ponto de autores como Chico Buarque e Gilberto Gil precisarem camuflar suas mensagens contra o regime para que suas músicas não fossem censuradas. Sendo assim, chegamos uma ideia de que política não se resume a votos na eleição. Estamos falando de algo bem mais abrangente que diz respeito a busca de seus direitos,inclusive o de se expressar. Vemos também que a juventude que teve suas ideias controladas demonstrou um grau muito mais alto de politização que a atual em que este tipo de liberdade não precisa mais ser reivindicada. Identificando essa apatia política dos dias de hoje a cantora Pitty incluiu em seu último álbum (Chiaroscuro – 2009) uma música chamada “Todos estão Mudos” (título que faz clara referência intertextual a “Todos estão Surdos” de Roberto Carlos). Na canção a baiana solta frases como : “Não parece haver mais motivos/Ou coragem pra botar a cara pra bater” e “Há quem diga que isso é velho/Tanta gente sem fé num novo lar/Mas existe o bom combate/É não desistir sem tentar” questionando a ausência de luta, não só da juventude, mas da população em geral.

Isto posto muitos me chamarão de utópico, ou demagogo, aceito o primeiro adjetivo e recuso o segundo isto porque realmente admito possuir um perfil sonhador, de alguém que realmente acredita que ainda há jeito, ao menos, de melhorar a organização política de nosso país. Por isso percebo a necessidade do Brasil adotar o voto facultativo, já que assim,apesar de termos um número bem menor de votantes, conseguiremos uma concentração de votos dada por eleitores conscientes. Admito que ainda percebo a necessidade de me politizar mais, todavia acredito estar assimilando conceitos fundamentais para este ato. É o momento de rompermos com o discurso comodista que diz que a população não se interessa por política pelo fato de não haver uma melhora no panorama parlamentar. Este pensamento gera um ciclo vicioso, visto que a melhora não ocorre ,afinal, por haver esta falta de interesse da população para com a política.



Leandro Sá, 22 anos. Ainda não ciente sobre todos os meus votos, mas ciente de quem não irá ganhá-los.